Estava lecionando, a sala era cinza. Precisei atender um chamado e sair, lembro-me de ter me questionado sobre meu caderno, se o deixaria na sala pois alguém poderia lê-lo. Então, mantive a boa fé, o deixei onde estava confiando que meus alunos não iriam pegá-lo. Mas ao retornarme surpreendi : minhas confidências escritas com tanto esmo, em um momento de desabafo no trabalho, tinham sido descobertas. Diretoras me esperavam na porta com seus sorrisos entreabertos e olhares cheios de prazer e malicia. Quando me aproximei, ouvi risadas claras e doloridas e logo depois ameaças: Você gosta de transar assim né , ahahauhaahhaa.
Aquilo me fez correr. Tentei sair daquele lugar, porém o ambiente estava muito carregado e o marido da diretora me esperava, não sei nem como consegui estar do lado de fora. E mais abruptamente no terminal de ônibus. Era cinza, frio e eles iam em direções diferentes do usual. Foi difícil saber qual pegar e eles poderiam vir ao meu encontro, poderiam estar em algum ônibus, tive medo. Em poucos segundos cheguei a minha casa e logo as cores tomaram conta de minha visão, tudo era agora mais confortável, mais tranquilo. Havia um grande vidro do lado esquerdo, meu pai comentou que eu poderia atravessá-lo e eu consegui. Junto dele havia um grupo de jovens, uns menino loiro que eu não conhecia e uma amiga minha, então entramos em casa. Mais tarde sentei-me na sala de visitas e quando percebi a almofada tinha braços, era meu pai se disfarçando, olhei novamente a almofada, e ele me disse que se eu treinasse, iria aprender.
difícil de entender era o tom ríspido em sua voz enquanto nos atendia. Como alguém tão familiar tornou-se aquela turbulência . A conversa estendeu-se toda embrulhada, falada, gritada e me confundia. Saí sem me despedir. Voltarei mais uma vez.
Me aproximei dele fisicamente, ele deixou. Era inusitado porque, bem, não parecia que isso iria acontecer, foi bom ficar ali, do seu lado, ele nú. Ele levantou e foi embora.